Dra. Letícia Queiroz – Endocrinologia e Pediátrica no Rio de Janeiro – RJ

O termo PIG refere-se a bebês que nascem com peso e/ou comprimento abaixo do esperado para o tempo de gestação, independentemente de terem nascido a termo (no tempo correto) ou prematuramente.

Essa condição, embora comum, exige atenção especial ao longo do desenvolvimento da criança, principalmente no que diz respeito ao seu crescimento.

Como endocrinologista pediátrica, meu objetivo é esclarecer os principais aspectos do crescimento em crianças PIG neste artigo.

Quem é a Dra Letícia Queiroz?

Sou médica endocrinologista pediátrica atuante no Rio de Janeiro- RJ.

Fiz a faculdade de Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), residência médica em pediatria no Hospital Universitário Pedro Ernesto da UERJ e residência médica em endocrinologia pediátrica no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), além de mestrado acadêmico em Medicina com estudo na área de Obesidade Infantil mais uma vez pela UERJ. Acredito que ser também pediatra me dá uma visão e um entendimento mais completos da criança e do adolescente. Busco sempre um atendimento empático e acolhedor, entendendo que cada paciente e cada família são únicos e precisam de um olhar individualizado.

O que os pacientes falam da Dra Letícia Queiroz

Sumário:

Prevalência de baixa estatura em crianças nascidas PIG

Definição de pequeno para idade gestacional

Crescimento de recuperação (Catch-up growth)

Abordagens terapêuticas para a baixa estatura em crianças PIG

Prevalência de baixa estatura em crianças nascidas PIG

É fundamental entender que nascer PIG não significa, necessariamente, que a criança terá baixa estatura na vida adulta. A maioria dessas crianças apresenta um fenômeno conhecido como crescimento de recuperação ou catch-up growth, que ocorre principalmente nos primeiros dois anos de vida.

Durante esse período, o ritmo de crescimento é acelerado, permitindo que a criança alcance um padrão de crescimento mais próximo ao de seus pares nascidos com peso e comprimento adequados para a idade gestacional.

No entanto, uma parcela significativa, cerca de 10% a 15% das crianças nascidas PIG, não consegue atingir esse crescimento de recuperação adequado e, consequentemente, mantém uma baixa estatura persistente.

 Essa persistência da baixa estatura é uma preocupação importante, pois pode ter implicações não apenas físicas, mas também psicossociais para a criança ao longo da vida.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca que, anualmente, aproximadamente 22 milhões de crianças nascem com baixo peso no mundo, um grupo que inclui tanto prematuros quanto os PIG, ressaltando a relevância do tema.

A identificação precoce dessas crianças que não realizam o catch-up growth é crucial. O Consenso Latino Americano de Crianças Nascidas Pequenas para a Idade Gestacional recomenda que crianças PIG sejam avaliadas de forma padronizada a cada três meses durante o primeiro ano de vida e a cada seis meses durante o segundo ano.

Essa vigilância rigorosa permite identificar rapidamente aqueles que precisam de intervenção. Crianças que não apresentam crescimento de recuperação nos primeiros seis meses de vida, ou que mantêm um peso e/ou comprimento abaixo de -2 desvios-padrão (DP) aos dois anos de idade, devem ser encaminhadas para uma avaliação mais aprofundada com uma endocrinologista pediátrica.

Definição de pequeno para idade gestacional

É importante ressaltar que a definição de PIG, segundo o Consenso Latino Americano, é um peso e/ou comprimento ao nascer que esteja mais de dois desvios-padrão abaixo da média de referência populacional para a idade gestacional.

Essa definição é crucial para o diagnóstico correto e para o acompanhamento adequado, pois permite que os profissionais de saúde identifiquem as crianças que realmente se enquadram nessa categoria e que podem necessitar de um manejo diferenciado.

Crescimento de recuperação (Catch-up growth)

O catch-up growth é um mecanismo biológico fque permite a muitas crianças nascidas PIG compensar o crescimento intrauterino restrito.

 Esse processo é caracterizado por um período de crescimento acelerado após o nascimento, no qual a criança cresce a uma taxa maior do que a esperada para sua idade, buscando alcançar o potencial genético de altura.

A maioria das crianças PIG experimenta esse crescimento de recuperação espontaneamente, e ele geralmente se completa nos primeiros dois a quatro anos de vida.

No entanto, a qualidade desse catch-up growth é tão importante quanto a sua ocorrência. Um ganho de peso pós-natal excessivo, especialmente nos primeiros meses de vida, deve ser monitorado de perto.

O Consenso da Endocrine Society alerta que o ganho de peso excessivo está associado a um perfil de saúde cardiometabólica desfavorável na idade adulta, aumentando o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Portanto, o objetivo não é apenas que a criança cresça, mas que cresça de forma saudável e equilibrada.

Para as crianças que não conseguem realizar um catch-up growth adequado, a intervenção precoce é fundamental. A ausência de recuperação do crescimento nos primeiros seis meses de vida é um sinal de alerta que justifica uma investigação mais aprofundada.

Essa investigação pode incluir a avaliação de fatores genéticos, nutricionais e hormonais que possam estar impedindo o crescimento adequado. É nesse ponto que a expertise de uma endocrinologista pediátrica se torna indispensável, pois ele poderá identificar as causas subjacentes da baixa estatura persistente e propor as melhores estratégias de manejo.

Abordagens terapêuticas para a baixa estatura em crianças PIG

Para as crianças nascidas PIG que não alcançam o catch-up growth e permanecem com baixa estatura, existem abordagens terapêuticas que podem auxiliar no alcance de uma altura mais próxima do potencial genético. A principal delas é o tratamento com hormônio de crescimento (GH).

Terapia com hormônio de crescimento

A terapia com hormônio de crescimento é uma opção segura e eficaz para crianças PIG com baixa estatura persistente tendo indicações em situações específicas.

Durante este tratamento, é fundamental um monitoramento regular da criança. Isso inclui a avaliação da glicemia, função tireoidiana e fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1).

É importante destacar que o tratamento com hormônio de crescimento não é uma solução universal e deve ser cuidadosamente avaliado para cada caso.

A decisão de iniciar a terapia é tomada em conjunto com a família, após uma análise completa do histórico de saúde da criança, exames complementares e expectativas de crescimento.

Em alguns casos, a presença de características dismórficas, malformações maiores, microcefalia, atraso no desenvolvimento, deficiência intelectual ou sinais de displasia esquelética pode indicar a necessidade de testes genéticos adicionais antes de iniciar o tratamento.

Estilo de vida saudável

Para todos os nascidos PIG, independentemente de terem recebido tratamento com GH, é crucial o aconselhamento para a adoção de um estilo de vida saudável.

 Isso inclui uma alimentação balanceada, prática regular de atividade física e manutenção de um peso adequado, visando prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo.

O objetivo final é garantir que cada criança nascida PIG tenha a oportunidade de atingir seu pleno potencial de crescimento e desenvolvimento, minimizando os riscos de complicações a longo prazo.

A identificação precoce, o acompanhamento rigoroso e as abordagens terapêuticas são ferramentas essenciais para otimizar o desfecho de crescimento dessas crianças. Com o apoio de uma equipe multidisciplinar e o engajamento da família, é possível garantir que as crianças PIG cresçam de forma saudável e alcancem seu potencial máximo, construindo um futuro com mais saúde e bem-estar.

Referências:

  1. Boguszewski, M. C., Mericq, V., Bergada, I., Damiani, D., Belgorosky, A., Gunczler, P. & Jaramillo, O. (2011). Latin American consensus: children born small for gestational age. BMC Pediatrics, 11(1), 66.
  2. Hokken-Koelega, A. C. S., van der Steen, M., Boguszewski, M. C. S., Cianfarani, S., Dahlgren, J., Horikawa, R. & Yau, M. (2023). International Consensus Guideline on Small for Gestational Age. Endocrine Reviews, 44(3), 539-583.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. (2022). Pequeno para idade gestacional, além do período neonatal: O que o pediatra precisa saber?
  4. SciELO. (2019). Postnatal management of growth failure in children born small for gestational age.

Leia mais:

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